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Aplicativo de estudante da UFPR mapeou milhares de relatos sobre Covid-19


É possível consultar no mapa a concentração de relatos por cidade, por bairro e por rua.



Foto: UFPR



Desde o início de sua graduação, o estudante de medicina da UFPR Faissal Nemer Hajar desejava aliar a tecnologia aos estudos de pesquisa clínica. O resultado é o aplicativo “Juntos Contra o Covid”, que teve origem em um projeto de iniciação científica coordenado pelo professor Valderílio Feijó, do Departamento de Clínica Médica da UFPR.


Em dois meses, já foram mapeados mais de 160 mil relatos de suspeitas de Covid-19 em todo o Brasil.


A plataforma funciona de maneira colaborativa. Os usuários preenchem um formulário clínico, elaborado pelos professores Valderílio Feijó e Miguel Morita. Os dados passam por um algoritmo, validado pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que calcula o risco de infecção em cada área como baixo, médio ou alto.


Com o georreferenciamento, é possível visualizar nos mapas quantos relatos suspeitos de Covid-19 existem em uma rua, bairro ou cidade, com garantia de sigilo dos dados. “Não há nada completo, similar, disponibilizado de forma aberta e imediata”, ressalta o estudante. 

A diferença para as estatísticas oficiais fornecidas por governos municipais e estaduais é que o mapa pode mostrar dados atualizados de forma mais imediata, sendo uma opção de análise da evolução da epidemia no Brasil, como destaca Feijó. “Com os dados epidemiológicos, queremos montar um modelo que possa ser reproduzido em qualquer tempo de pandemia”.


As informações coletadas podem ser modificadas pelos usuários na medida em que haja evolução dos casos, pois, periodicamente, os usuários já cadastrados podem preencher o formulário novamente e assim, promover uma atualização dos dados. É o que Hajar chama de “mapa vivo”.


Os dados fornecidos foram comparados com os relatórios oficiais do governo do Estado do Paraná, o que resultou em uma precisão de 85%. De acordo com o futuro médico, esse índice pode ser creditado ao alto índice de acessos. Até as 14h de quarta-feira, dia 27, as consultas ao site chegaram a 30 milhões em um único dia, o que fez com que o portal saísse do ar momentaneamente. 


“É um grande feito para a nossa equipe. Nós vemos isso apenas em países desenvolvidos, mas aqui conseguimos fazer de forma autônoma e totalmente voluntária”, ressalta Hajar.



Mapas mostram concentração de relatos por cidade, por bairro e por rua



O projeto “Juntos contra o Covid” hoje tem a adesão de uma equipe multidisciplinar, que conta com 22 pesquisadores das áreas de medicina clínica, direito, marketing, comunicação e desenvolvimento de software. 

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Os dados obtidos pela plataforma servirão de base para futuros estudos sobre o assunto. Em breve, a equipe do projeto, em parceria com UTFPR, UFPI, FioCruz e Hospital Pequeno Príncipe, fará análises de ordem clínica, econômica e social dos dados obtidos, ao cruzá-los com informações oficiais já existentes, que complementarão o entendimento da pandemia do coronavírus. 


O projeto encontra-se em análise para financiamento pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CnPQ).

Porém, é necessário apoio financeiro para a sua continuidade, pois as doações vindas de parceiros como a Amazon já foram utilizadas e, por isso, momentaneamente as coletas estão suspensas. Acesse o portal e saiba como ajudar, com quantias de qualquer valor, para que a inserção de dados seja retomada. 


“Temos um compromisso com a verdade, em um momento tão crítico, histórico, pois a humanidade nunca passou por isso. É uma oportunidade única de gerar conhecimento e interesse pela ciência”, reconhece o estudante.


Na visão de Valderílio Feijó, a iniciativa é uma solução que se integra à comunidade, unindo a tecnologia e o conhecimento produzido na universidade. 


“Esse é o momento para demonstrar a necessidade de termos projetos permanentes e interdisciplinares. É a nossa proposta que pode influenciar as novas gerações“, finaliza o coordenador.


Fonte: UFPR

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