• PORTAL G7

Guerra, 19.º dia: Prédio residencial é atacado em Kiev


Ao menos duas pessoas morrem após edifício de nove andares ser bombardeado. Ucrânia pressiona por encontro entre Putin e Zelenski. Acompanhe as últimas notícias.



Foto: YouTube



Ao menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas durante um bombardeio a um prédio residencial num bairro no noroeste de Kiev no começo deste que já é o 19º dia de guerra na Ucrânia.


O edifício de nove andares foi alvo do bombardeio por volta das cinco da manhã, no horário local, de acordo com os serviços ucranianos de emergência.


Outras 15 pessoas foram resgatadas de um incêndio causado pelo bombardeio e 63 foram retiradas do lugar.



Ucrânia pressiona por encontro entre Putin e Zelenski


O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que continuará a negociar com a Rússia e que sua delegação "tem a tarefa clara" de fazer de tudo para facilitar um encontro entre ele e o líder russo, Vladimir Putin. Zelenski já pediu repetidas vezes por uma reunião com Putin, mas afirma que até agora seus pedidos não foram respondidos pelo Kremlin. Moscou não descartou a ideia de um encontro entre Putin e Zelenski, segundo o porta-voz presidencial, Dmitri Peskov. "Precisamos entender qual deveria ser o resultado e o que será discutido nesse encontro", ponderou, segundo noticiou agência russa Interfax neste domingo. Zelenski afirmou que representantes dos dois países conversam diariamente por videoconferência, acrescentando que tais contatos são necessários para estabelecer um cessar-fogo e mais corredores humanitários.

No domingo, ambos os lados apontaram avanços nas negociações de um cessar-fogo. Uma nova rodada de conversas deve ocorrer nesta segunda.



Começa nova rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia


Uma nova rodada de conversas entre representantes russos e ucranianos teve início nesta segunda-feira, desta vez por videoconferência.


Segundo o assessor da presidência e negociador ucraniano Mykhailo Podolyak, a comunicação entre ambos os lados é difícil, mas prossegue. Mais cedo o representante da Ucrânia havia afirmado que o foco das conversas seria alcançar um cessar-fogo.


Ao tuitar uma foto da reunião, Podolyak afirmou: "A razão para a discórdias são sistemas políticos muito diferentes."



Ataque a base militar ucraniana


Ainda na madrugada de domingo, mísseis russos atingiram uma base militar em Yavoriv, no oeste ucraniano, a 35 quilômetros da fronteira com a Polônia, que é membro da Otan. O governador da região de Lviv, Maxim Kosizky, disse mais de 30 mísseis de cruzeiro foram disparados contra o campo de treinamento militar.


A base sedia o Centro Internacional de Manutenção da Paz e Segurança (IPSC, na sigla em inglês), e é um local de treinamento de militares e cooperação entre a Ucrânia e países da Otan.


Acredita-se que alguns dos voluntários estrangeiros que decidiram se unir aos militares ucranianos estavam sendo treinados em Yavoriv, e que o local armazenava armamento enviado por países do Ocidente à Ucrânia. O ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, afirmou que instrutores militares estrangeiros trabalhavam na base atingida.


Moscou confirmou o ataque e disse que o bombardeio matou "até 180 mercenários estrangeiros" e destruiu "uma grande quantidade de armas fornecidas por nações estrangeiras". O porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, afirmou que foram usados mísseis de longa distância e alta precisão para atacar Yavoriv e uma instalação na vila de Starichi. Já o governador da região de Lviv, onde está situada a base afetada, Maxim Kosizky, disse que o ataque matou 35 pessoas e feriu 134.


No sábado, a Rússia havia alertado que os comboios de equipamentos militares enviados por países do Ocidente para a Ucrânia seriam considerados alvos militares.


O bombardeio da base de Yavoriv sofreu condenação dos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, publicou mensagem no Twitter criticando o ataque. "A brutalidade precisa parar", escreveu.


A embaixada dos Estados Unidos em Kiev também publicou uma mensagem no Twitter. "O ataque ao centro, no qual Estados Unidos, Polônia, Lituânia, Reino Unido, Canadá e outros países treinavam forças ucranianas, não derrotará os heróicos soldados que treinavam ali", escreveu a representação americana na Ucrânia.


A operação militar em Yavoriv foi utilizada pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, como um motivo para voltar a pedir à Otan que crie uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia. Segundo o líder ucraniano, a Rússia poderia bombardear em breve o território da Otan.


"Se vocês não fecharem nosso céu, é uma questão de tempo até que mísseis russos caiam em seu território, em território da Otan", disse Zelenski em uma mensagem de vídeo.


A Otan e países do Ocidente já rejeitaram diversas vezes o pedido de criar uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, argumentando que isso na prática significaria a Otan declarar guerra à Rússia e iniciar uma guerra mundial.





Morte de jornalista americano


O jornalista e cineasta americano Brent Renaud, de 51 anos, foi morto no domingo por forças russas em Irpin, a noroeste de Kiev.


Renaud, que estava cobrindo a crise de refugiados para a revista Time e já havia coberto as guerras no Iraque e no Afeganistão, o terremoto no Haiti e a Primavera Árabe para diversos veículos, foi atingido no pescoço, segundo policiais locais e fontes ucranianas.


O fotógrafo americano Juan Arredondo relatou que estava com Renaud no momento do ataque. Segundo ele, ambos estavam dentro de um carro atravessando uma ponte quando foram alvo de tiros. As circunstâncias exatas do ataque ainda não foram esclarecidas.



Mariupol segue sitiada


A câmara municipal da cidade portuária de Mariupol, no sul da Ucrânia, afirmou neste domingo que 2.187 moradores da cidade foram mortos desde o início da invasão da Rússia.

"Nas últimas 24 horas, houve pelo menos 22 bombardeios contra a cidade. Mais de100 bombas já foram jogadas em Mariupol", acrescentou a nota.


Mariupol tem sido uma das localidades mais afetadas pelos ataques russos desde o início da guerra. A cidade de cerca de 430 mil moradores está sitiada e esforços para levar comida, água e remédios e para evacuar seus cidadãos foram frustrados neste sábado.


Neste domingo, o papa Francisco disse que Mariupol "virou uma cidade mártir na guerra atroz que está a devastar a Ucrânia". Em um apelo feito após a oração do Ângelus, o líder da Igreja Católica pediu o fim do "massacre" e do "inaceitável ataque armado" na Ucrânia.



Fonte: DW



1 visualização0 comentário