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Biden anuncia sanções e condena Putin por ataque à Ucrânia


Além de sanções, UE discute bloqueio mais amplo. Estados-membros divergem sobre alcance das punições e hesitam em excluir Moscou do sistema Swift de transações internacionais, o que poderia afetar também algumas das economias do bloco europeu.



Fotos: DW / YouTube



O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou nesta quinta-feira (24/02) o que chamou de "ataque premeditado, sem provocação ou justificativa” da Rússia à Ucrânia e disse que as potências ocidentais preparam um pacote "devastador” de sanções contra Moscou.


Em conferência de imprensa na Casa Branca, Biden condenou as "acusações sem fundamento” feitas pelo presidente russo, Vladimir Putin, de que a Ucrânia "invadiria a Rússia, de que teria armas de destruição em massa e que teria cometido genocídio”.


Tais argumentos foram utilizados por Putin para autorizar uma invasão militar ao país vizinho e ataques a diversas cidades e infraestruturas ucranianas, além de atingir também a capital, Kiev.


"Putin é o agressor. Putin começou a guerra, e agora seu país terá de arcar com as consequências”, ressaltou.


Ele afirmou que as sanções deverão ter impacto de longo prazo na Rússia, mas foram elaboradas de maneira a impactar minimamente os Estados Unidos e seus aliados.

Segundo o líder americano, as punições vão limitar a capacidade da Rússia de realizar negócios em dólares, euros, libras esterlinas e ienes.


Entre os alvos estão quatro bancos, além dos que já haviam sido atingidos por sanções há poucos dias, como o VTB Bank,. Essas instituições que possuem em torno de 1,4 trilhão de dólares em ativos nos EUA.



Putin "do lado errado da história"


Biden anunciou o envio de tropas americanas para a Alemanha, que irão contribuir para a segurança dos aliados da Otan na região. Fontes do governo informaram que os EUA enviarão 7 mil soldados para suas bases militares no país europeu.


Ele prometeu que seu país defenderá “cada centímetro do território da Otan", mas ressaltou que as tropas americanas não se envolverão em confrontos diretos com forças russas na Ucrânia.


O bloqueio a uma futura adesão da Ucrânia à Otan era uma das exigências feitas por Putin durante as semanas que antecederam a invasão. O Ocidente porém, se recusou a descartar a entrada ucraniana na aliança, no futuro próximo.


Após se reunir virtualmente com os líderes dos países do G7, Biden disse que todos foram unânimes em "avançar pacotes devastadores de sanções e outras medidas econômicas para punir a Rússia”.


Pouco antes, o G7 emitiu um comunicado com fortes críticas a Putin. "O presidente reintroduziu a guerra no continente europeu. Ele se colocou do lado errado da história", disseram os líderes das principais economias democráticas do mundo após uma reunião presidida pela Alemanha.


"Condenamos o presidente Putin por sua recusa consistente em se envolver num processo diplomático para tratar de questões relacionadas à segurança europeia, apesar de nossas repetidas ofertas."



"Agressor manchado de sangue"


Horas antes, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou sanções contra 100 entidades e indivíduos russos, em consequência das agressões de Moscou à Ucrânia.


Em discurso no Parlamento britânico, Johnson condenou asoperações militares russas na Ucrânia e disse que o presidente russo, Vladimir Putin, é um "agressor manchado de sangue que acredita em conquistas imperiais”. O líder russo sempre esteve "determinado a atacar seu vizinho, não importa o que ele fizesse", observou.


Johnson disse que seu governo está pronto para lançar "o maior e mais severo pacote de sanções econômicas que a Rússia já viu”. As medidas visam a remoção de entidades russas do mercado financeiro britânico e o congelamento de ativos no país dos principais bancos russos, como o VTB Bank.


As sanções, segundo o premiê, afetam "todas as maiores indústrias que apoiam a máquina de guerra de Putin. Além disso, estamos banindo do Reino Unido a Aeroflot”. A empresa aérea estatal russa está proibida de utilizar os aeroportos britânicos.


O Reino Unido planeja impedir as empresas e o governo russo de obterem recursos financeiros no país e proibirá as exportações para a Rússia de uma grande quantidade de produtos de alta tecnologia, incluindo semicondutores.





UE


Os países da União Europeia (UE) impuseram novas sanções econômicas contra a Rússia nesta quinta-feira (24/02), horas depois de os Estados Unidos e o Reino Unido anunciarem suas próprias punições a Moscou, em razão da invasão militar em larga escala da Ucrânia.


As medidas adotadas pela UE, entretanto, ficaram abaixo das expectativas do governo ucraniano, com os Estados-membros divididos sobre como aplicar as punições e deixando alguns detalhes para serem resolvidos nos próximos dias.


Durante a reunião de emergência em Bruxelas, os líderes europeus condenaram a decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de ordenar a invasão do território ucraniano. O primeiro-ministro da Letônia, Krisjanis Karins, o descreveu com um "autocrata iludido que gera miséria para milhões de pessoas”.


A UE decidiu congelar bens e ativos russos nos países do bloco e suspender o acesso dos bancos russos aos mercados financeiros europeus, algo que o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, descreveu como "o pacote de sanções mais rígido já implementado por nós”.


As sanções também têm como alvo, entre outros, os setores de energia e transportes, e visam asfixiar o comercio e a indústria da Rússia por meio de controles de exportações. "Nossas sanções vão ferir a economia russa direto no coração”, disse o primeiro-ministro da Bélgica, Alexander De Croo.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as sanções afetarão 70% do setor bancário russo e as principais empresas estatais do país, inclusive de defesa.

A proibição de exportação de bens para a Rússia "atingirá o setor petrolífero, tornando impossível para a Rússia modernizar suas refinarias", disse Von der Leyen. A UE também proibiu a venda de aeronaves e equipamentos para companhias aéreas russas.


Restrições de vistos farão com que diplomatas e empresários russos não tenham mais acesso facilitado à União Europeia.


A invasão da Ucrânia marca o início de uma "nova era", disse Von der Leyen. "Putin está tentando subjugar um país europeu amigo. Ele está tentando redesenhar o mapa da Europa. Ele precisa e irá fracassar."



Algumas expectativas frustradas


Entretanto, existem ainda algumas divergências entre os Estados-membros sobre o alcance das sanções, e países que sofreriam de modo mais intenso as consequências dessas medidas defendem a adoção de ações mais cautelosas.


O ministro do Exterior da Holanda, Wopke Hoekstra, disse esperar uma definição do formato final das sanções até esta sexta-feira. "Para a Holanda, o Swift é parte dessa discussão", afirmou, em referência ao sistema global de transferências bancárias.


Não houve consenso em torno do bloqueio à Rússia do acesso ao Swift, o sistema internacional de cooperação que permite transações financeiras entre mais de 11 mil instituições bancárias em todo o mundo.


A exclusão da Rússia do Swift teria impacto também sobre algumas economias europeias. A medida, que foi pedida pela Ucrânia e pelos países dos Bálcãs, foi apoiada pela líder do Parlamento europeu, Roberta Metsola, mas enfrentou a resistência de alguns chefes de governo.



Sanções mais duras "em outro momento”


O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disse que essa decisão poderia ferir também alguns países do bloco, e que essa deve ser uma medida a ser adotada em outro momento. "Alguns países estão hesitantes, uma vez que isso poderá lhes trazer sérias consequências”, observou.


O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que a possibilidade de excluir a Rússia do Swift deve ser parte das sanções a serem adotadas futuramente, "em uma situação na qual possa ser necessário ir mais além”.


Nesta terça-feira, a UE já havia anunciado um pacote de sanções contra Moscou que atingem vários setores e centenas de indivíduos, incluindo políticos e empresários, e dificultam o acesso de entidades russas ao mercado europeu. O objetivo é minar a capacidade de Moscou de impor políticas agressivas.


Entre os alvos, estão cerca de 350 membros do Parlamento russo que votaram a favor do reconhecimento, por Moscou, das "repúblicas populares" de Lugansk e Donetsk, além de 27 indivíduos e entidades que ameaçam a integridade territorial e a soberania da Ucrânia.



Reino Unido e Canadá também anunciam sanções


O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou sanções contra 100 entidades e indivíduos russos, incluindo a remoção de entidades russas do mercado financeiro britânico e o congelamento de ativos no país dos principais bancos russos.


O Canadá também anunciou sanções. O primeiro-ministro do país, Justin Trudeau, disse que elas afetarão 58 indivíduos e entidades russas. O objetivo é atingir integrantes da elite russa e seus familiares, autoridades de segurança, o grupo Wagner – uma empresa de segurança privada ligada à Rússia – e bancos russos.



Fonte: DW


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