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Comandante ucraniano em Mariupol pede ajuda internacional


Militar afirma que Rússia está em vantagem numérica e pede que entrincheirados no último foco de resistência da cidade portuária sejam levados para outro país. Moscou dá novo ultimato a combatentes em siderúrgica.



Foto: DW



O comandante dos fuzileiros navais da Ucrânia que ainda resistem em Mariupol fez um apelo dramático a líderes internacionais nesta quarta-feira (20/04) e pediu a evacuação para o território de um outro país. Tropas ucranianas estão cercadas por militares russos numa siderúrgica, no último foco de resistência da cidade portuária, que foi alvo de intensos ataques nas últimas semanas.


"O inimigo nos supera em 10 para 1", afirmou Serhiy Volina, comandante da 36ª Brigada de Fuzileiros Navais da Ucrânia, num vídeo de pouco mais de 1 minutos postado no Facebook. "Apelamos aos líderes de todo o mundo por ajuda". Ele ressaltou ainda que a Rússia está em vantagem no ar, na artilharia, em forças terrestres, equipamentos militares e tanques.


Os militares e combatentes ucranianos defendem agora apenas a siderúrgica Azovstal, onde centenas de civis também estão abrigados. Volina pediu um "procedimento de evacuação" da fábrica, no qual todos os soldados que defendem Mariupol, dos quais mais de 500 estão feridos, e civis sejam levados a um local seguro no território de um outro país.


"Esse é nosso apelo para o mundo. Esse pode ser o último pedido das nossas vidas. Estamos, provavelmente, diante dos nossos últimos dias, se não, últimas horas", acrescentou o comandante.


Desde o início de março, Mariupol está sitiada por tropas russas. A cidade e o porto estão completamente destruídos. Dezenas de milhares de civis ainda estão presos na cidade, sem acesso a água ou alimentos. O governo ucraniano afirma que mais de 20 mil civis morreram em razão dos intensos bombardeios.


Segundo a Rússia, cerca de 2,5 mil soldados ucranianos e 400 mercenários estrangeiros estariam na siderúrgica. A Ucrânia afirmou que mil civis buscaram abrigo no local. Moscou fez um novo ultimato para que a resistência ucraniana em Mariupol se renda e disse que vai implementar um cessar-fogo na cidade nesta quarta-feira. Os ucranianos ignoraram ofertas similares anteriores.


Situada no mar de Azov, Mariupol é um dos principais objetivos dos russos no esforço para obter controle total da região de Donbass e formar um corredor terrestre, no leste da Ucrânia, a partir da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A queda total da cidade seria a maior vitória da Rússia em quase oito semanas de guerra.



Nova fase da guerra


A Rússia afirmou na terça-feira que iniciou uma nova fase da guerra, que foi chamada por autoridades ucranianas de batalha de Donbass. A invasão russa, até agora, não foi capaz de capturar nenhuma das grandes cidades da Ucrânia, forçando Moscou a se reorientar e concentrar as ofensivas nas regiões separatistas do leste.


As autoridades em Kiev afirmaram que foi acertada com a Rússia a formação nesta quarta-feira de um corredor humanitário para retirada de civis de Mariupol. Enquanto isso, separatistas pró-Rússia dizem que assumiram o controle de Kreminna, uma pequena cidade de 18 mil habitantes no leste da Ucrânia. Segundo os Estados Unidos, este é o único ganho de território que a ofensiva terrestre russa conseguiu no período de 24 horas.


A inteligência militar britânica afirmou que os confrontos em Donbass foram intensificados, enquanto forças russas tentam avançar pela região e impedir que reforços cheguem a soldados ucranianos que lutam nesta localidade. Após uma pausa, a Rússia aumentou os bombardeios em Kiev e arredores.


O maior ataque a um país europeu desde a Segunda Guerra Mundial já levou mais de 5 milhões de ucranianos a fugir para o exterior e deixou cidades em ruínas. Mulheres e crianças são a grande maioria dos refugiados.


Em resposta à invasão, potências ocidentais impuseram pesadas sanções contra a Rússia e enviaram armamentos para a Ucrânia.



Fonte: DW

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