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Controle russo de usina na Ucrânia contraria pilares da segurança nuclear


Chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, diz que desdobramento é “extremamente preocupante”. Na sexta-feira, ele se ofereceu para viajar a Chernobil. Usina de Zaporizhzhya é a maior da Europa. Número de refugiados sobe para 1,5 milhão e PMA alerta sobre crise de segurança alimentar.

Foto: Aiea / Dean Calmaa



A Ucrânia informou à Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, que a usina nuclear de Zaporizhzhya está agora sob controle do comandante das forças russas, após o bombardeio do local na semana passada.


O diretor-geral da Aiea, Rafael Mariano Grossi, recebeu a notícia, neste domingo, e disse que o desdobramento é “extremamente preocupante” e contraria os pilares da segurança nuclear previstos pela agência.



Telefone e e-mail


Zaporizhzhya, considerada a maior usina nuclear da Europa, foi tomada por forças militares da Rússia, após a ofensiva à Ucrânia, que começou em 24 de fevereiro.


Apesar de os funcionários ucranianos permanecerem na instalação, qualquer operação deve ser autorizada pelo comandante da Rússia. O local tem seis reatores.


Em 2 de março, Mariano Grossi realizou com o Conselho Diretor da Aiea uma reunião de emergência para tratar do conflito na Ucrânia e as consequências para o programa nuclear do país. No encontro, ele apresentou sete pilares indispensáveis à segurança atômica e às salvaguardas.


O pilar 3, por exemplo, determina que os funcionários da usina devem ter o direito de exercer seus deveres livre de pressões.


Segundo o governo da Ucrânia, as forças russas desligaram alguns sistemas de telefonia móvel e de internet para que informação confiável do sítio não fosse obtida por meio de canais normais de comunicação. Neste domingo, as linhas de telefone, e-mails e fax não estavam mais funcionando.


Algumas ligações por telefone celular ainda eram possíveis, mas com qualidade muito ruim. Para Rafael Mariano Grossi, é preciso haver comunicação segura com os reguladores e outros.

O diretor-geral da Aiea lembrou que a situação entre o regulador e a usina é fundamental principalmente no meio de um conflito que pode colocar em risco as instalações nucleares.



Seis reatores


Mariano Rossi acredita que não há sinais, até o momento, de vazamento de radiatividade, e que os níveis permanecem normais.


Na sexta-feira, ele ofereceu à Rússia e à Ucrânia viajar até Chernobil para discutir a situação da segurança nuclear das usinas.


No momento, a usina tem mais de 200 técnicos e guardas, mas desde 23 de fevereiro deste ano, os empregados não conseguiram sair do local.


A Agência da ONU informou que na cidade portuária de Mariupol, também houve uma perda de comunicação desde a ofensiva russa e não se sabe ao certo se houve vazamento radiativo no local.



Insegurança alimentar e passagem segura de civis


Em nota separada, em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, divulgou que manteve uma conversa ao telefone com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e prometeu aumentar ações para ajuda humanitária dentro e fora da Ucrânia.


Ambos discutiram ainda condições para uma evacuação segura de ucranianos e estrangeiros das zonas de combate.


Já o chefe da Agência da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que o número de pessoas que cruzaram as fronteiras da Ucrânia para fugir da violência chegou a 1,5 milhão em apenas 10 dias.


O Programa Mundial de Alimentos, PMA, postou vídeos na internet mostrando o movimento de caminhões para entrega de alimentos e indicando que o conflito terá consequências para a segurança alimentar dentro e fora da Ucrânia.


Segundo o PMA, juntas Ucrânia e Rússia fornecem mais de 30% do trigo consumido no mundo e pelo menos 80% do óleo de girassol. Somente no Líbano, metade do trigo usado no país vem da Ucrânia.



Fonte: ONU News


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